Em um cenário de grande incerteza e elevadas tensões mundiais, a América Latina e o Caribe receberam 194 bilhões de dólares de investimento estrangeiro direto (IED) em 2025, um aumento de 1,7% em relação a 2024, embora com resultados díspares entre países e setores de destino, aponta relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).
O peso do IED nas economias varia muito entre os países, mas, em média, a participação do IED recebido pela região no produto interno bruto (PIB) (2,8%) e na formação bruta de capital fixo (14,0%) se manteve estável em 2025, indica o relatório anual O Investimento Estrangeiro Direto na América Latina e no Caribe 2026: navegando o novo contexto global, apresentado pelo secretário executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, em coletiva de imprensa em Santiago do Chile, em 23 de junho.
De acordo com a publicação anual, em 2025, a maioria dos países da América do Sul e da América Central registrou um volume de investimentos superior ao observado no ano anterior. No Caribe, porém, o desempenho foi mais heterogêneo.
O Brasil, que recebeu 77.676 bilhões de dólares (40% do total), e México, que obteve 43.221 bilhões de dólares (22%), concentraram 62% do total de receitas de IED em 2025. No caso do Brasil, os fluxos aumentaram, aproximando-se dos máximos da década de 2010. O México, por sua vez, registrou em 2025 o terceiro maior montante desde 1990, apesar de uma variação interanual negativa.
As duas maiores economias da América Latina concentraram 62% do total do investimento estrangeiro direto. Depois do Brasil e do México, os países que receberam mais IED em 2025 foram Chile (7% do total), Peru (6%), Colômbia (6%), Guiana (5%), Costa Rica (3%) e República Dominicana (3%).
“No atual contexto global de interdependência instrumentalizada, é crucial entender o vínculo entre comércio e investimento estrangeiro direto para desenhar políticas que nos permitam avançar em direção a um desenvolvimento mais produtivo, inclusivo e sustentável. Na América Latina e no Caribe, mais do que uma ausência de instrumentos, vemos que prevalece a dificuldade de integrar de forma coerente e estratégica as agendas de comércio, investimento e desenvolvimento produtivo, o que limita o impacto transformador que o IED poderia ter na região”, afirmou o secretário executivo José Manuel Salazar-Xirinachs.
Em 2025, o reinvestimento de lucros (51%) manteve-se como o principal componente do IED, embora reduzido. Seguiram-se as contribuições de capital (34% do total) e os empréstimos entre empresas (15%).
Quanto aos setores de destino, as entradas em serviços (+19,5%) e em recursos naturais (+7,0%) aumentaram, e em manufaturas (-17,2%) diminuíram. Desse modo, em 2025 os serviços receberam 53% do IED, as manufaturas 31% e os recursos naturais 16%.
Por outro lado, 67% do investimento que ingressou na região em 2025, com origem identificável, veio dos Estados Unidos (35%) e da Europa (32%). No entanto, a publicação especifica que, em 2025, foram recebidos um volume menor de investimentos dos Estados Unidos (-11%), enquanto as entradas da Europa aumentaram.
Assim como no resto do mundo, o cenário de grande incerteza afetou negativamente, em particular, os anúncios de investimentos na região em 2025, segundo o relatório. Em 2025, foram anunciados 1.326 projetos, com um total de 114.100 bilhões de dólares na América Latina e no Caribe, o que representa uma redução de -10,2% na quantidade de anúncios e de -34,3% no montante em relação a 2024.
Pelo contrário, as saídas de IED da região mostraram uma recuperação nos últimos três anos, totalizando 62.286 bilhões de dólares em 2025, um aumento de 19,3% em relação a 2024 e o segundo valor mais alto registrado desde 2010. As políticas públicas podem ter um papel crucial no esforço de direcionar esses investimentos, diz a CEPAL, de modo que gerem benefícios em termos de produtividade, aprendizado tecnológico, inovação e acesso a mercados, e se evitem riscos fiscais e produtivos.
Finalmente, o relatório inclui este ano um capítulo onde se analisa a forma como o IED na região pode ser afetado pelas mudanças recentes nas políticas tarifárias dos Estados Unidos. A CEPAL sugere que o nível de exposição da região a mudanças na política comercial dos Estados Unidos é altamente heterogêneo entre países e setores e depende tanto da estrutura produtiva quanto da integração em cadeias regionais de valor de cada país.
As políticas, as instituições e as capacidades são importantes, reitera a CEPAL, propondo as seguintes recomendações de política para navegar o novo contexto global:
- Diversificar mercados de exportação e origens de IED, especialmente em economias com alta participação do mercado estadunidense em suas exportações.
- Articular comércio, investimento e desenvolvimento produtivo em um quadro de política que vise a maximizar o impacto do investimento instalado.
- Coordenar as instituições de promoção de investimento e comércio e as entidades responsáveis por promover outras áreas de desenvolvimento produtivo (talento humano, transferência tecnológica, inovação etc.).
- Fortalecer as capacidades técnicas, operacionais, políticas e prospectivas das agências de promoção de investimentos e comércio, e incorporar mecanismos de monitoramento e aprendizado diante das mudanças do ambiente.
- Criar e fortalecer espaços de articulação regional para ampliar oportunidades de comércio, investimento e desenvolvimento produtivo entre os países da região.
Para saber mais, acesse o relatório completo na página da CEPAL e siga @cepal_onu nas redes social!
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- Unidade de Informação Pública da CEPAL, Santiago: prensa@cepal.org
Fonte: brasil.un.org
