Em Mauá (SP), cerca de 90 moradores e profissionais da rede pública do Jardim Zaíra/Chafick-Macuco já participaram de ações de diagnóstico para identificar características, desafios e potencialidades do território e apoiar na definição de prioridades para a região.
As ações são parte do programa Periferia Viva, coordenado pelo Ministério das Cidades e implementado pela Prefeitura de Mauá com apoio do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat).
O programa realizou, ao longo do mês de junho, três encontros para validar informações e identificar o que é mais importante de ser contemplado no Plano de Ação do Periferia Viva, documento que vai orientar as futuras intervenções urbanas no território a partir da combinação entre análises técnicas e conhecimento local.
A validação coletiva do diagnóstico foi iniciada no encontro do dia 20 de junho, com moradores e moradoras apoiando na validação das informações sobre a realidade local. Uma das atividades envolveu uma dinâmica de reconhecimento do território: utilizando um mapa da área, cada participante identificou o local onde vive e compartilhou uma palavra que representa sua relação com o bairro. As respostas revelaram tanto o sentimento de pertencimento quanto os desafios cotidianos, reunindo expressões como “esperança”, “aconchego”, “paz” e “conquista”, ao lado de “difícil”, “complicado” e “desilusão”.
Na sequência, a equipe apresentou o diagnóstico territorial, elaborado a partir dos levantamentos realizados pela iniciativa desde janeiro. O documento reúne informações e análises sobre a realidade da comunidade, incluindo temas como moradia, infraestrutura, mobilidade, meio ambiente e áreas com maior risco de alagamento ou deslizamento. Para isso, foram utilizados dados do Censo Demográfico de 2022, informações da metodologia Mapa Rápido Participativo (MRP) e de estudos técnicos realizados no território.
O encontro também promoveu um debate sobre os principais desafios e pontos fortes da comunidade, a qualidade dos espaços de convivência e possíveis ações que podem ser implementadas antes da execução das obras previstas pelo projeto.
Percepções da população
Entre os principais desafios apontados estiveram a mobilidade, problemas de saneamento, áreas de risco e a ausência de equipamentos de lazer e cultura. Moradoras e moradores também destacaram pontos positivos do local, como a nascente da Rua Roberto Stella, a atuação da Associação Ouro Verde e o potencial empreendedor da comunidade.
Também surgiram propostas de melhorias de curto prazo, como reforço da iluminação pública, limpeza de vielas e escadarias, implantação de pontos de coleta de resíduos e qualificação de espaços de lazer.
Para Ana Carolina Nunes, coordenadora de programas do ONU-Habitat, a construção coletiva do diagnóstico fortalece o planejamento das futuras intervenções e amplia a legitimidade das decisões tomadas ao longo do programa. “O Plano de Ação é construído a partir da combinação entre conhecimento técnico e conhecimento comunitário. A participação da população da Chafick-Macuco é fundamental para identificar prioridades e orientar soluções que dialoguem com a realidade do território“, destaca.
“Foi muito importante a reunião para a gente discutir projetos e melhorias para o nosso bairro. Quem mora aqui precisa participar desse processo, pensando nas crianças, nos idosos e no nosso bem-estar. Quando a comunidade se reúne e participa, conseguimos construir caminhos para melhorar o lugar onde vivemos“, destacou a moradora Tatiana Coelho Miranda.
Para ampliar a participação das famílias, a reunião contou ainda com um espaço de acolhimento para as crianças, onde puderam colorir uma série de ilustrações inspirada em elementos do território, desenvolvida pela equipe do Periferia Viva Mauá.
Rede pública fortalece construção coletiva
Além do encontro com moradores, foram realizadas duas reuniões voltadas a profissionais da rede pública que atuam no Jardim Zaíra. Os encontros foram realizados nos dias 12 e 26 de junho no CRAS Zaíra e no CRAS Macuco, reunindo representantes das secretarias municipais, unidades de saúde, assistência social, educação e organizações comunitárias.
As atividades também incluíram momentos de escuta e dinâmicas voltadas ao levantamento de informações sobre o território e à identificação de oportunidades para articular ainda mais o serviço público e a comunidade.
Para a gerente de rede da Secretaria Municipal de Políticas Públicas, Júlia Tenório, o programa representa uma oportunidade importante para ampliar a presença das políticas públicas em um dos territórios mais vulneráveis do município.
“É uma felicidade muito grande participar desse processo. A Chafick é uma das áreas mais vulneráveis da cidade, e iniciativas como essa fortalecem as políticas públicas e chegam em um momento muito importante para a nossa população”, ressaltou.
“Mesmo trabalhando aqui há algum tempo e morando há muitos anos no Jardim Zaíra, eu não conhecia toda a extensão da Chafick. O diagnóstico trouxe um aprendizado importante para todos nós. Quanto mais conhecemos o território e ouvimos a comunidade, maiores são as possibilidades de construir ações que realmente respondam às necessidades das pessoas“, destaca o coordenador do CRAS Zaíra, Eduardo Aparecido Domingos.
Sobre o Periferia Viva
O Periferia Viva Mauá integra o Novo PAC, iniciativa do Governo Federalvoltada ao melhoramento urbano de assentamentos precários. Em parceria com a Prefeitura deMauá, o ONU-Habitat atua como Assessoria Técnica Territorial para desenvolver o Plano de Ação de forma participativa e orientado pelas necessidades e prioridades dos moradores do território.de forma participativa e orientado pelas necessidades e prioridades dos moradores do território.
O programa promove a transformação de áreas urbanas vulneráveis por meio de uma abordagem territorial, participativa e integrada, com a previsão de obras de saneamento básico, drenagem, pavimentação, contenção de encostas e melhorias habitacionais, definidas a partir de diagnóstico técnico aliado à escuta e à participação da população no processo.
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Salmom Lucas (salmom.monteirocosta@un.org)
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Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)
Fonte: brasil.un.org
