O Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial da ONU lançou oficialmente nesta quarta-feira (1) seu Relatório Preliminar, apresentando a primeira avaliação científica global e independente sobre as oportunidades, riscos e impactos da IA. Este trabalho inicial do Painel fornece uma base fundamental de evidências para informar as políticas globais antes de seu primeiro relatório abrangente, previsto para 2027.
Este esforço colaborativo para construir uma compreensão compartilhada sobre a IA chega em um ponto de inflexão crítico. Governos estão tomando decisões de grande impacto sobre a IA sob forte incerteza, lidando com fontes de evidência que mudam rapidamente e muitas vezes são conflitantes, além de perspectivas que não necessariamente refletem as realidades locais. À medida que as capacidades da IA continuam a crescer, aumentam também os riscos das decisões que estão sendo tomadas ao redor do mundo. Este é o desafio central que o Painel visa abordar.
O Relatório Preliminar foi elaborado pelo Painel Científico Internacional Independente sobre IA, composto por 40 cientistas e especialistas renomados. Vindos de todas as regiões do mundo, seus membros atuam em capacidade estritamente pessoal, de forma independente de qualquer governo, empresa ou instituição. O Brasil é representado pela professora Teresa Ludermir, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
As conclusões do relatório serão apresentadas aos governos no primeiro Diálogo Global da ONU sobre Governança de IA, que será realizado em Genebra nos dias 6 e 7 de julho.
Em seu Relatório Preliminar, o Painel descreve suas conclusões em sete áreas principais:
- Ciência, avanços e trajetórias da IA
- Aplicações sociais: ciência, saúde, educação e agricultura
- Implicações econômicas
- Segurança, sistemas e implicações ambientais
- Direitos humanos, informação e democracia
- Crescimento cultural e individual, autonomia e segurança infantil
- Gestão, governança e confiabilidade
O Painel identifica um desafio crucial de evidências para os tomadores de decisão em todo o mundo: os formuladores de políticas precisam de evidências científicas para governar a IA de forma eficaz, mas, quando as evidências estiverem claras, pode ser tarde demais para agir. O cumprimento equitativo das promessas da IA dependerá das decisões informadas que as nações tomarem juntas e da base científica compartilhada que as guiará – justamente a base de evidências que o trabalho do Painel foi projetado para oferecer.
“As capacidades da IA estão superando tanto o entendimento científico quanto a capacidade de adaptação dos governos. Com evidências crescentes de comportamentos enganosos da IA, a ciência atualmente não pode garantir que, à medida que essas capacidades continuam a aumentar, a IA não causará danos catastróficos, seja por conta própria ou devido a usuários mal-intencionados. Para agir de forma eficaz, os formuladores de políticas globais devem compreender esses sistemas. Este Painel fornece exatamente isso: uma base científica rigorosa e compartilhada para guiar nosso caminho coletivo em frente.” – Yoshua Bengio, co-presidente do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial.
“A tecnologia é transformadora, mas se o mundo continuar seguindo esta trajetória, a humanidade não conseguirá colher os benefícios que ela promete. Os riscos – para as sociedades, para a segurança e para a nossa espécie – são altos demais, e as forças que impulsionam a IA para a frente não são as mesmas que trarão seus benefícios.” – Maria Ressa, co-presidente do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial.
“O mundo não pode governar o que não consegue compreender. O relatório do Painel fornece dados científicos independentes, provenientes de todas as regiões e à disposição de todos os governos. Sua mensagem é clara: o potencial é imenso, mas os riscos são reais, e o custo da espera está aumentando. Exorto todos os líderes a usarem essas evidências compartilhadas para agirem juntos e sem demora.” – António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas
“A IA, por si só, não vai fechar as lacunas. Os benefícios chegam onde já existem instituições, competências e dados. Onde isso não ocorre, a mesma tecnologia pode substituir trabalhadores, aumentar a desigualdade e deixar comunidades dependentes de sistemas criados sem levá-las em consideração. Este relatório traduz isso, pela primeira vez, em uma linguagem científica comum. Essas realidades agora estão registradas, foram verificadas de forma independente e são impossíveis de serem ignoradas.” – Amandeep Singh Gill, subsecretário-geral e enviado especial para Tecnologias Digitais e Emergentes
O Relatório Preliminar do Painel Científico Internacional Independente sobre IA: Avaliação baseada em evidências das oportunidades, riscos e impactos da IA é o primeiro resultado de um órgão científico criado para acompanhar a evolução da tecnologia. O Painel publicará avaliações regulares e resumos temáticos à medida que a IA evoluir, a fim de fornecer aos formuladores de políticas e ao público avaliações atualizadas dos dados científicos.
Saiba mais:
- Assista ao lançamento do relatório ao vivo a partir das 12h (horário de Brasília) na UN WebTV.
- O Relatório Preliminar completo, incluindo um sumário executivo, está disponível em https://www.un.org/independent-international-scientific-panel-ai/en/preliminary-report
- Uma mensagem dos co-presidentes do Painel também está disponível em https://www.un.org/independent-international-scientific-panel-ai/en/preliminary-report
Contato para imprensa:
- Karoline Hassfurter, Líder de Comunicação, Escritório das Nações Unidas para Tecnologias Digitais e Emergentes: karoline.hassfurter@un.org
Para outras dúvidas, entre em contato através do e-mail: aiscientificpanel@un.org
NOTAS PARA EDITORES
Os membros do Painel estão disponíveis para entrevistas imediatamente. Mais de 30 membros também estarão presentes no Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial em Genebra, nos dias 6 e 7 de julho, e entrevistas presenciais podem ser solicitadas no local. Para mais detalhes sobre o Diálogo Global sobre Governança de IA, consulte o comunicado oficial à imprensa.
Sobre o Painel:
O Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial é o primeiro órgão científico global sobre IA criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Ele foi estabelecido pela resolução A/RES/79/325, adotada em 26 de agosto de 2025, e baseia-se no Pacto Digital Global acordado pelos Estados-membros em 2024, bem como nas recomendações do Órgão Consultivo de Alto Nível sobre Inteligência Artificial do secretário-geral. O mandato do Painel é avaliar a ciência, não prescrever políticas.
O Painel reúne 40 especialistas nomeados pela Assembleia Geral para um mandato de três anos, selecionados por meio de uma convocatória global aberta que atraiu mais de 2.600 candidaturas de mais de 140 países. Os membros foram escolhidos com base em sua experiência, perspectiva interdisciplinar e equilíbrio geográfico e de gênero, e atuam como especialistas científicos independentes a título pessoal, não como representantes de governos, empregadores ou instituições. O Painel reúne um grupo equilibrado em termos de gênero, composto por 40 especialistas de todas as cinco regiões das Nações Unidas, provenientes da academia, do setor privado, da sociedade civil e da comunidade técnica. É independente de qualquer governo, empresa ou instituição, incluindo as próprias Nações Unidas.
O Painel é copresidido por Yoshua Bengio (Canadá) e Maria Ressa (Filipinas), eleitos na reunião inaugural do Painel em 3 de março de 2026. Seu mandato consiste em produzir relatórios anuais que sejam relevantes para políticas públicas, mas não prescritivos, que sintetizem pesquisas sobre as oportunidades, riscos e impactos da IA no domínio não militar. O Secretariado do Painel é coordenado pelo Escritório da ONU para Tecnologias Digitais e Emergentes, que, como entidade coordenadora, apoia o processo do Painel, mas não orienta suas conclusões científicas, e inclui membros da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), além de contar com outras capacidades de todo o sistema.
O Relatório Preliminar é a primeira contribuição do Painel para o Diálogo Global das Nações Unidas sobre Governança de IA, também estabelecido sob a resolução A/RES/79/325. O próximo relatório anual do Painel servirá de base para o segundo Diálogo Global, a ser realizado em Nova Iorque em maio de 2027.
Fonte: brasil.un.org
